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Doença Descompressiva: as medidas de prevenção para o mergulhador profissional



O mergulho profissional é um trabalho de alto risco, que exige profissionais altamente capacitados para sua realização.


Como o profissional de mergulho realiza um trabalho sob condições hiperbáricas (submetido a uma pressão maior que a atmosfera ao nível do mar), diversos equipamentos e procedimentos se fazem necessários para garantir que o seu tempo de permanência sob a água seja seguro e salubre.


Além disso, para reduzir os riscos ao mergulhador, o trabalho deve ser realizado seguindo as regulamentações e normas trabalhistas.


Atualmente, a regulamentação do trabalho em condições hiperbáricas no Brasil é feita pela Norma Regulamentadora nº 15 – Atividades e Operações Insalubres, em seu anexo 6 – Trabalho sob condições Hiperbáricas, que trata dos trabalhos sob ar comprimido e dos trabalhos submersos.


As principais causas de comprometimento da saúde de mergulhadores podem ser divididas em:

1. Não descompressivas, que compreendem os barotraumas, apagamentos e afogamentos;

2. Descompressivas, que são a doença descompressiva, a síndrome de hiperdistensão pulmonar e a embolia arterial gasosa.


Hoje, falaremos sobre a doença descompressiva e as medidas de prevenção desta patologia.


A DOENÇA DESCOMPRESSIVA (OU PATOLOGIA DESCOMPRESIVA)


Nas atividades de mergulho de altas profundidades, a maior ameaça à saúde do profissional é a doença de descompressão. Isso porque os mergulhadores se submetem a maiores pressões e, consequentemente, a maiores riscos de doença descompressiva.


A doença descompressiva é uma patologia clínica cujos sintomas são consequência da presença de bolhas de gás nos tecidos e na circulação sanguínea. Essas bolhas surgem quando a velocidade de descompressão excede a capacidade do organismo de eliminar o excesso de gás inerte através dos processos de perfusão e difusão.


Essas bolhas de gás inerte tecidual podem provocar danos de duas maneiras diferentes:

  1. Formação de bolhas nos tecidos, que causam isquemia e distorção tecidual;

  2. Formação de bolhas gasosas venosas, que podem causar trombose, hemorragia, embolia pulmonar, alterações neurológicas (como dor de cabeça, paralisia facial, tontura, inconsciência, dificuldade para caminhar e até paraplegia), e até o colapso circulatório, devido acúmulo de grande número de bolhas.


Tendo em vista os diversos riscos para a vida do mergulhador, é preciso atenção às medidas de prevenção à doença descompressiva. Confira, a seguir, as principais ações preventivas:


MEDIDAS DE PREVENÇÃO À DOENÇA DESCOMPRESSIVA


A formação de bolhas pode ser evitada pela duração dos mergulhos em amplitude que não necessita de descompressão durante a subida.


A doença descompressiva também pode ser prevenida pela correta realização de parada de descompressão durante o mergulho ou a descompressão na superfície, quando disponível. É importante frisar que a subida com parada de descompressão deve seguir os modelos de descompressão e tabelas de mergulho.


Além disso, existem fatores que predispõem a ocorrência da doença descompressiva e que podem ser prevenidos ou amenizados. Tais fatores são:

  • o condicionamento físico, o peso e a idade do mergulhador;

  • a temperatura da água (mais fria, maior a chance da doença);

  • a desidratação previamente ao mergulho;

  • a realização de esforço físico;

  • a hipercapnia (prender ou acelerar a respiração durante o mergulho);

  • a ingestão de bebidas alcoólicas nas 24 horas prévias ao mergulho;

  • traumatismos durante o mergulho;

  • perfil do mergulho (profundidade, tempo de fundo, utilização ou não de mistura respiratória);

  • mergulhos repetidos sem acompanhar a tabela de mergulho (calcular o tempo de superfície); e

  • exposição a altitude (realizar voo ou subir em altitude nas 24h após mergulhar).

É fundamental orientar o mergulhador a seguir as recomendações estabelecidas nas atividades hiperbáricas. São elas que diminuem o risco de doença de descompressão e protegem a saúde do profissional.


Se há suspeita da doença, deve-se providenciar o quanto antes o tratamento em câmara hiperbárica.


Todas as doenças de mergulho exigem o auxílio e acompanhamento de um médico hiperbárico. Este médico é profissionalmente capacitado e treinado para compreender e tratar patologias causadas por atividades hiperbáricas.


Em caso de acidente e comprometimento à saúde do mergulhador profissional, a Amplus Saúde está pronta para manejar o tratamento. Conte conosco!

Sobre a Amplus Saúde

A Amplus Saúde é uma empresa de medicina integrada voltada para a saúde e segurança ocupacional. Além da realização de exames ocupacionais periódicos e implementação de programas de prevenção, a Amplus Saúde também é especializada em medicina hiperbárica.

Atendemos às empresas de mergulho profissional com a realização de exames, avaliação do mergulhadores (seguindo as exigências da NR15 e NORMAM 15), acompanhamento dos acidentes e tratamentos na câmara hiperbárica, quando indicado.

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Conteúdo elaborado sob supervisão técnica da Dra. Lisiane Mariel Machiavelli (CRM 27025-PR), Médica do Trabalho e especialista em Medicina Hiperbárica.

Referências:

  • BACHRACH, Arthur J. Breath-holddiving. In: BACHRACH, Arthur J.; DESIDERATI, Barbara Mowery; MATZEN, Mary Margaret. A pictorial history of diving. California: Best Publishing, 1988, p. 16-37.

  • LACERDA, E. P.; ESTRAZULAS, J. A.; DA SILVA, M. P. Trabalho em Condições Hiperbáricas. Revista Digital, Buenos Aires, v.14, n.142, mar. 2010.

  • JORGE, R. R. Manual de Mergulho. Rio de Janeiro: Interciência, 2012.

  • U.S. NAVY. Chapter 01: History of diving. In: U.S. NAVY. Diving Manual. Washington, D.C: U.S. Government Printing Office. N. 6, p. 89-119, 2008.

  • ONEILL, O. J.; MURPHY-LAVOIE, H. M.; Hyperbaric, Compressed Air Workers, Caissons, Tunneling, Bounce Diving and Saturation Diving. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2019, May 29.

  • KEUSKI, B. M. Updates in diving medicine: evidence published in 2017-2018. Undersea Hyperb Med. 2018 Sep-Oct; 45:511-520.

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